Importação de registos em formato CSV: uma forma de acelerar o mapeamento da biodiversidade da Lousã

Ao longo dos últimos dois anos, desde que comecei a efetuar registos de espécies invasoras em https://invasoras.pt - e sobretudo ao longo do último ano, desde que comecei a usar o iNaturalist - tenho tentado percorrer todo o concelho da Lousã para caraterizar a biodiversidade autóctone e as espécies exóticas invasoras presentes em cada local. Desde que elaborei uma escala com 10 níveis para quantificação do grau de invasão (campo "Invasion extent") acrescento essa informação a cada novo registo (muitas vezes na forma de uma simples abreviatura - i0, i1, ..., i9 - na descrição da observação). O objetivo é identificar áreas com grande biodiversidade e reduzida presença de espécies exóticas invasoras, com vista à criação de uma "rede de micro-reservas" suficientemente vasta para conter a maioria das espécies autóctones mas suficientemente restrita para poder ser conservada a longo prazo (nomeadamente através de voluntariado).

Infelizmente nem sempre encontro tempo para registar todas as observações efetuadas ou todas as espécies observáveis em cada imagem... e os registos pendentes vão-se acumulando. Neste momento tenho vários milhares de fotografias de espécies observadas na Lousã à espera de tempo para as registar.

Há alguns dias decidi implementar uma solução de compromisso: registar no iNaturalist as principais informações recolhidas no terreno, mediante a importação de registos num ficheiro CSV, deixando para mais tarde a elaboração de registos mais completos com suporte fotográfico. Eis as principais etapas do processo:

  • No início de cada observação no terreno, quantificar o grau de invasão (na escala de 0 a 9) e registá-lo fotograficamente (por exemplo usando os dedos). Essas fotos iniciais são "carimbadas" com as coordenadas GPS. Em seguida, fotografar a espécie principal tentando que as fotografias também incluam as principais espécies presentes em redor.
  • Depois de transferir as fotos para o computador, listar todos os nomes de ficheiro e abrir a lista numa folha de cálculo. Percorrer as imagens e registar na folha de cálculo as coordenadas arredondadas à milésima do grau e as espécies observadas (a espécie principal e as outras espécies presentes em redor, nomeadamente as exóticas invasoras). Registar também o nível de invasão.
  • Exportar estes dados para um ficheiro CSV e a partir dele construir um ficheiro BAT que permita agrupar as fotos em pastas, uma para cada "quadrícula" com 0,001 grau de latitude por 0,001 grau de longitude. Confirmar se existe uniformidade no grau de invasão dentro de cada quadrícula.
  • Acrescentar ao ficheiro CSV os dados necessários para que este seja importado para o iNaturalist. Eventualmente registar e usar apenas coordenadas aproximadas, arredondadas à milésima do grau (cerca de 60 metros de erro máximo), para acelerar o registo desta informação.
  • Importar para o iNaturalist os registos do ficheiro CSV.
    As coordenadas registadas manualmente a partir do carimbo na foto poderão não ter toda a precisão, e as observações importadas sem fotos nunca alcançarão Grau de Pesquisa, mas pelo menos fica disponível no iNaturalist alguma informação sobre a verdadeira dispersão de cada espécie no concelho da Lousã. É particularmente importante registar todas as observações de espécies exóticas invasoras e também é importante registar as espécies autóctones ou naturalizadas, arbustivas ou arbóreas, dominantes em cada local, as quais na Lousã provavelmente estarão entre as seguintes: Arbutus unedo, Calluna vulgaris, Castanea sativa, Cistus psilosepalus, Cistus salviifolius, Cistus ladanifer, Cytisus sp., Crataegus monogyna, Daphne gnidium, Erica arborea, Erica ciliaris, Erica cinerea, Erica lusitanica, Erica umbellata, Fragula alnus, Genista falcata, Genista triacanthos, Genista tridentata, Olea europaea, Pinus pinaster, Phillyrea angustifolia, Phillyrea latifolia, Pteridium aquilinum, Quercus robur, Quercus suber, Rhamnus alaternus, Salix sp., Ulex minor.

  • Mais tarde, consoante o tempo disponível, elaborar registos completos com suporte fotográfico. Analisando o mapa de todas as observações já registadas (incluindo as observações importadas, as quais permanecem com grau "casual" / estatuto de "não verificável"), identificar zonas com muitos registos mas nenhum com "grau de pesquisa", localizar as fotografias captadas nessas zonas (o agrupamento em "quadrículas" - uma pasta para cada quadrícula - facilita essa tarefa) e efetuar registos completos das principais espécies aí observadas.

Com este método de trabalho, deverá ser possível obter um mapa bastante completo do nível de invasão no concelho da Lousã dentro de um ano - possivelmente até em menos tempo - sendo então possível identificar áreas prioritárias para preservação a longo prazo.

Lähettänyt mferreira mferreira, 22. heinäkuuta 2021 18:36

Kommentit

Ei vielä kommentteja.

Lisää kommentti

Kirjaudu sisään tai Rekisteröidy lisätäksesi kommentteja